terça-feira, 4 de novembro de 2008

As condições de vida nas trincheiras

Com o decorrer da guerra, que no início se pensava que fosse curta, foi necessário não só atacar o inimigo como também defender-se dele. Por isso, como as armas se foram desenvolvendo, também as trincheiras onde os soldados se abrigavam tiveram de se desenvolver. Haviam vários tipos de trincheiras, todas elas interligadas; as trincheiras da linha da frente, ligadas a outras trincheiras que estavam atrás e que serviam de apoio às da frente. As trincheiras podiam atingir grande profundidade, chegando mesmo a ir até 15 metros abaixo do solo, e por isso, eram muito difíceis de destruir.
No entanto, a vida nas trincheiras estava longe de ser um luxo... Por vezes as trincheiras ficam alagadas, pois a 1ª Guerra Mundial desenrolava-se no norte da Europa, em zonas muito húmidas. Isto dificultava a deslocação dentro das trincheiras e obrigava os soldados a dormir, por vezes, nessa lama. Além disso, com a água, as trincheiras desabavam aos poucos, o que obrigava os soldados a estar maior parte do seu tempo a escavar. Os cadáveres estavam nas trincheiras. Este era apenas um dos muitos factores que dificultavam a deslocação dentro das trincheiras. O cheiro que os corpos deitavam era horrível. A comida também era um problema, embora não o devesse ser. A comida era muito má, e também era difícil comer vendo cadáveres ao lado e sentindo um cheiro horrível deles. A comida existente, além de má, também era em pouca quantidade e os biscoitos eram tão duros que tinham de ser postos sobre uma superfície lisa e serem partidos para poderem ser comidos. Se comessem carne uma vez por semana eram uns sortudos. “Imagine o que era comer dentro de trincheiras cheias de água com o cheiro dos cadáveres.” Estas foram as palavras de Richard Beasley, entrevistado em 1993, sobre a sua participação na 1ª Guerra Mundial.

Avelino Rodrigues

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